CHORO


Eu não descobria o motivo de tanto choro! Não sabia por onde começar. Tá doendo? Alguém te fez mal? Diz logo! Não posso te ajudar sem saber. Andei até a padaria ali na esquina, peguei um copo d'água e dei. Ela segurou sem beber, e continuou chorando, com uma das mãos tapando os olhos. Soltou o copo, que quebrou no chão, e saiu correndo. Que merda! Corri atrás, segurei pelo braço e, firme, falei, Vai ou não vai me dizer?. NÃO. E tentou correr de novo. Mas eu a segurava dessa vez. Me olhou nos olhos e disse, Eu te vi com ela. Ela quem?. Minha irmã!. Não tinha como ela saber. Mas, o que você viu?, A faca e todo o resto. Medo. Senti medo de tudo, da polícia, da reação da minha mãe quando soubesse... Soltei seu braço olhando pro chão, não pude nem disfarçar. Agora ela tinha certeza. Mas continuou chorando ao meu lado, não correu mais. Errou. Agora eu também choro por ela.

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